Capítulo
1 – A fuga
Passava da meia noite.
Finalmente estava com o dinheiro e com o celular. Ela só pensava em voltar para
casa. Estava feliz, pois agora seu avô poderia fazer o tratamento da doença que
o estava matando aos poucos, no entanto agora ele teria a chance de viver por
mais alguns anos.
Bárbara estava a pé,
com uma maleta pesada nas mãos, tudo havia sido cuidadosamente calculado, só
precisava caminhar algumas quadras e chegaria ao seu destino. Pensamentos a
atormentavam em como conseguiria pagar aquele dinheiro, era uma considerável
quantia, que ela havia recorrido a uma fonte perigosa e duvidosa.
Faltando uma quadra para chegar a casa,
foi quando seu tormento começou, quatro
caras mascarados apareceram e disseram:
_ Passa a maleta.
Atônita e em pânico, só
pensou em correr, correu muito por uma viela escura, que por descuido os caras
não haviam cercado, correndo Bárbara pensava: “valeu os anos praticando
corrida”, depois que estava distante de sua casa, lembrara que os caras estavam
armados, e pensou no sufoco que seria para seu avô, caso ela morresse, seu avô,
só tinha ela de parente viva. Pensava também na governanta que deixara aos
cuidados do seu avô, aquela mulher era estranha e lhe dava medo.
Agora o que fazer? Quem
eram aqueles caras? E como podiam saber que na maleta havia tanto dinheiro? Não
podia voltar para casa de seu avô. Seria perigoso para o vovô. Mas ele
precisava do tratamento e de remédios caros. Quanto tempo ele ainda aguentaria?
Ela prometera salvá-lo.
Pensou em recorrer às
amigas, mas todas as haviam sumido de sua vida há muito tempo. Andou mais alguns quilômetros até achar um
prédio abandonado e decidiu que ali passaria a noite. Estava suada, com fome,
mas decidiu que dormiria ali com um olho fechado e outro de olho na maleta.
Estava arrependida de não ter ido buscar ajuda financeira em um banco, no
método convencional, mas recordou que ela e o avô estavam completamente falidos
e endividados. Seu avô sobrevivia da pensão por morte da esposa e o dinheiro ia
para pagar a governanta, luxo que ele não se desfazia, alimentos e alguns
medicamentos. Novamente pensava: Quanto
tempo ele aguentaria esperar? Ela prometera salvá-lo.
Bárbara, enfermeira
muito dedicada ao trabalho, havia pedido licença do hospital para cuidar de seu
avô. Há muito tempo largara a vaidade e só pensava em tentar curar seu vozinho
que amava tanto.
Em tantos devaneios,
lembrou-se da pessoa que havia ido procurar aquela noite, a fonte do seu
dinheiro, recordou-se com terror a frase que repercutia em sua mente:
- Esse dinheiro nos
ligará até a morte.
Enquanto
isso, Bernardo avô de Bárbara aguardava ansioso a governanta lhe trazer a
janta. Queixava-se de muita dor e tremores no corpo todo, fruto da sua doença
degenerativa. Esperou com cautela Sosô como chamava a mulher que cuidava dele,
trazer a janta, quando ela saiu, ele misteriosamente sem sofrimento algum ficou
em pé.
Desceu
numa agilidade incrível (muita agilidade para alguém que dizia que estava a
beira da morte) as escadas da sua luxuosa casa, comprada nos tempos de
abundância, abriu a porta e uma limusine parou para pegá-lo. Afoito, olhou para
o motorista e disse:
- Nossos planos não deram certo. Temos
que acha-la o quanto antes.
- Meus melhores homens estão a sua
procura.
A
limusine deixara o avô de Bárbara perto de sua casa, já havia amanhecido, subiu
rápido as escadas, enfiou-se debaixo das cobertas, começou os seus fingidos
tremores e gemidos de dor, enquanto chamava Sosô:
_ Meu chá e meu remédio.
Sosô trouxe o chá e o
remédio. Quando ela saiu, ele tomou o chá, e jogou o remédio no vaso sanitário
e deu descarga, como fazia todos os dias e noites. Deu uma sonora gargalhada ao
lembrar-se de Bárbara, aquela tonta, deixara o trabalho, e cuidava dele com
tanto amor, divertiu-se ao pensar... (Mal sabe ela o que está por vir...).
Enquanto isso Bárbara, acordava no
prédio abandonado, assustada olhou ligeiro para sua mão, mas ficou aliviada ao
ver a maleta e constatar que todo o dinheiro ainda estava ali. Faminta,
precisava comer alguma coisa, olhou na sua carteira (jamais gastaria o dinheiro
do tratamento do seu avô), havia R$ 50,00 reais, caminhou algumas quadras parou
em uma banca de quitutes, comprou um sanduiche de presunto e um café com leite,
que no total dera R$ 9,50 reais. Mas ainda ela pensava: “Preciso de um banho”,
achou um hotel barato onde a limpeza não era uma das melhores qualidades e se
hospedou. Precisava bolar um plano para salvar a vida de seu avô.
Capítulo 2 – A Governanta
Sosô,
agora na cozinha, preparava o almoço, pensava em Bernardo: “velho ingrato, nada
nunca está bom, e agora ainda fica moribundo para eu ter que cuidar”. Foi fundo
em seus pensamentos e lembrou-se do passado, da época em que fora amante do avô
de Bárbara, tempos de luxo, ele lhe dava muito dinheiro, não a mereca que
pagava agora, que ele achava muito.
Lamentava-se
por Bernardo não ter escolhido ela, ao invés da avó de Bárbara, e lembrou-se do
seu plano perfeito executado há 20 anos, quando pagara um criminoso para
sabotar o carro em que a mãe e avó da netinha querida, ria-se ela relembrando
como tinha arquitetado tudo com perfeição. Nunca, ninguém descobriu que o
acidente de carro foi sabotagem.
Mas,
o plano de Sosô havia falhado em um aspecto, Bernardo não ficara com ela após a
morte das duas, ele tinha se concentrado em esbanjar o seu dinheiro com várias
mulheres, luxo, e a mantivera como governanta e o que a amargurava por dentro,
deixara de procurá-la como mulher. Isso a consumia de ódio por dentro, ainda
mais agora que ele estava velho e com uma doença avançada. Não entendia o amor
da neta aquele avô doente e moribundo, resmungava sempre, aliás, ela odiava
Bárbara, arrependia-se de não ter dado um fim nela no passado.
Agora,
Sosô matutava, porque aquele velho mandara Bárbara procurar o agiota mais
perigoso e cruel da cidade, tarde da noite. Dinheiro sem dúvidas. Mas, por que
mandar a neta que ele amava tanto a uma missão tão perigosa? Sosô ainda
resmungou baixinho:
_Pensam que eu sou boba, eu tudo ouço, tudo
vejo e tudo sei dessa casa.
O
que ninguém suspeitava é que a governanta tinha um plano novamente, ainda
preparando o almoço ela imaginava, farei esse velho assinar um testamento
deixando a casa para mim e colocarei a culpa em Bárbara. Mas, onde, estava
Bárbara? Porque demorava tanto para voltar? Alguma coisa tinha acontecido?
Precisava da netinha querida na casa, para que seu planejamento desse certo. De
repente, cheiro de queimado, queimou a comida.
_ Droga, vou ter que ouvir aquele velho
moribundo resmungar da comida. Em pensar que no passado me pagava jantares
luxuosos me prometendo tirar dessa vida de governanta. Ah, ele vai pagar. E
sorriu, diabolicamente.
Capítulo
3 O hotel
Bárbara
entrou no quarto do hotel, sentou-se na cama e antes de tomar banho, pensou:
“Vou ligar para o vovô, preciso contar o que aconteceu, e que consegui o
dinheiro, será que meu vozinho querido suporta tantas emoções?”
Pegou
o celular que seu avô lhe dera e efetuou a ligação:
_ Alô?
_Alô? Atendeu Sosô mal humorada.
Bárbara teve um calafrio e pediu:
_ Quero falar com o vovô.
_ Só um momento, querida.
Sosô, subia as escadas levando o
telefone sem fio, para Bernardo, louca para ouvir a conversa. Bateu na porta e
entrou no quarto.
_ Bernardo, telefone.
_Quem é? Perguntou ele com a voz rouca?
_Sua neta. Disse Sosô.
_Passa logo o telefone, e saia do
quarto. Ele falou em voz áspera.
_ Alô, vovô? Como o senhor está?
- Alô, querida. Muito mal, cada dia
pior. Por que ainda não voltou para casa?
Bárbara descrevera em
detalhes tudo que havia acontecido, a conversa com o agiota, o surgimento dos
caras mascarados, a noite no prédio abandonado, o pouco dinheiro que tinha na
carteira e que agora se encontrava em um hotel barato, do outro lado da cidade
e que pensava se seria seguro voltar para casa com aquela maleta.
O avô de Bárbara ria-se
por dentro ao ouvir o relato da neta, ainda enfatizou para ela: “Não importa o
que aconteça, não gaste o dinheiro da maleta, você sabe querida, eu estou
gravemente enfermo e só posso contar com sua ajuda”. Bernardo orientou-a para
que desse um jeito de voltar para casa, com a maleta de dinheiro.
Bárbara disse.
- Está bem vovô. Fica com Deus.
- Amém. Respondeu o mais amoroso dos
vovôs.
E desligaram.
Sosô,
atrás da porta, ouvia parte da conversa.
Bárbara finalmente foi tomar o banho
que ansiava, mas pensava: “De que adianta banho, se vou ter que por a mesma
roupa?”. Ligou o chuveiro, ensaboou os cabelos com o pequeno vidro de shampoo
baratinho que estava ali na janelinha do banheiro. Sempre de olho na maleta.
De
repente, um chute na porta, eram os caras mascarados novamente atrás da maleta,
um deles disse:
_ Chuveiro, ela está no banho.
_ Ótimo, vamos poder brincar um
pouquinho, gargalhou o outro.
Bárbara
que havia escutado o chute na porta e deduzido que eram os caras mascarados,
pensava em uma saída, quando viu outra janela no banheiro, em um nível mais
alto da parede. Precisava pensar rápido, se enrolou na toalha, subiu em um
banco de madeira que estava ali, sua altura de 1,70 já ajudava um bocado, não
sem antes pegar a maleta e o celular, saltar de uma altura de uns três metros e
sair correndo de toalha, com shampoo nos cabelos, com a maleta de dinheiro e o
celular nas mãos, correndo sem parar em uma fuga que ia do completo desespero a
adrenalina total.
Capítulo
4 Em busca de ajuda
Bárbara
estava com os pés sangrando, com os joelhos ralados e mancando, quando percebeu
que também havia machucado o pé esquerdo. A essas alturas estava longe do
hotel, com a maleta de dinheiro e com o celular, enrolada em uma toalha. Com
dificuldades para andar e com muita dor, parou para olhar onde estava, cansada
de correr muito e com medo, reparou que estava em um bairro humilde e calmo.
Pensou:
“Preciso de roupas. Mas a quem vou recorrer aqui?”. Foi quando viu um varal de
uma casa com algumas roupas penduradas, Bárbara que nunca sequer roubara sequer
um doce, pensou: “vou pegar, comprarei roupas novas para essa família quando
tudo acabar”. Ela pulou o pequeno muro, pegou uma calça e uma camisa, se vestiu
atrás da casinha do cachorro, que por sorte não estava ali no momento, ninguém
apareceu do lado de fora da casa, o que para Bárbara fora um grande alívio.
Pulou
o muro novamente, procurou alguma placa de rua para saber onde estava e decidiu
efetuar uma ligação, para alguém que ela havia jurado ter cortado relações, mas
estava desesperada.
-Alô. Disse Bárbara.
- Fala docinho. Respondeu Júlio
ex-namorado de Bárbara ao reconhecer sua voz.
-Preciso de ajuda. Não posso dar
detalhes por telefone. Por favor, você pode vir me buscar na rua das camélias,
nº 100.
Júlio deu um longo gole na garrafa de
whiski e respondeu.
-Claro, meu bem. (Com a voz um tanto já
embriagada, era a terceira garrafa que ele dava conta.). Em um momento de
clareza, pensou porque será que ela havia procurado por ele agora, ela que
havia jurado nunca mais falar com ele.
Pegou
a chave do seu corsel, entrou no carro e foi em direção ao endereço, dirigindo
de forma perigosa. Chegando lá, foi de encontro a Bárbara, querendo beijá-la
sem nem reparar no estado deplorável que ela se encontrava. Bárbara o afastou e
pediu que ele a levasse para casa dele. Precisava da caixinha de primeiros
socorros e colocar o pé no lugar. Foi quando ele perguntou:
- O que tem na maleta?
Bárbara sabendo do caráter interesseiro
do ex-namorado pensou rápido;
- Medicamentos para o meu avô.
Júlio fez de conta que
se convenceu e a levou para casa dele. Pegou a caixinha de primeiros socorros e
entregou a ela. Bárbara começou a tratar os seus ferimentos e o que era mais
difícil colocar seu pé esquerdo de novo no lugar, ajeitou o pé, fez um
movimento, deu um berro e o pé estava de novo no lugar. Bárbara tomou um longo
banho, parecia querer se livrar das últimas experiências.
Júlio queria
explicações e apesar de embriagado estava disposto a saber o que tinha naquela
maleta.
Bárbara estava faminta
e disse a Júlio que estava com fome, por ironia do destino ele lhe preparou um
sanduíche de presunto e um café com leite. De repente, ela começou-se a sentir
uma tontura, uma náusea e uma sonolência estranha, não conseguia manter os
olhos abertos e capotou no sofá.
Júlio foi correndo
abrir a maleta, ficou boquiaberto quando descobriu que havia um milhão de
dólares na maleta, em notas altas. Pensou que tinha sido uma boa ideia ter
colocado um sonífero extremamente forte no café com leite de sua ex-namorada,
afinal ela sempre fora uma tonta mesmo. Pegara o sonífero que colocava no café
da irmã dele nos dias de pagamento. Ele sempre roubara dinheiro da irmã,
aproveitava do fato dela trabalhar em uma multinacional e sofrer com crises de
transtorno de bipolaridade.
Pensava como Bárbara
tinta tanto dinheiro? Mas isso não tinha mais importância agora. Ele já sabia
aonde ir. Ele iria fazer multiplicar aquele dinheiro, já estava mais
consciente, pois o efeito da bebida já estava passando, pegou seu corsel e
partiu rumo ao cassino mais famoso da cidade. Aquela seria sua noite de
brilhar.
Capítulo
5 O telefonema
O avô de Bárbara estava
sozinho no quarto, pegou o celular, mas antes de efetuar a ligação abriu a
porta e espiou para garantir-se que a governanta não estava por ali, aquela
velha mal amada, pensou ele ao dar uma risadinha. Voltando para o quarto,
realizou uma ligação:
-Alô?. Disse Bernardo.
-Alô. Respondeu a voz
misteriosa.
- Como vão nossos negócios?
Perguntou energético o avô de Bárbara
- As pessoas já pegaram
o dinheiro. Ambas já viraram presunto. Gargalhou a pessoa do mal.
Sosô, que aparecera por
ali naquele momento, escutava parte da conversa do lado de fora do quarto,
muito surpresa e pensativa. Tinha que executar seu plano logo, dar um fim no
velho moribundo, não tão moribundo assim, ela refletiu.
Satisfeito, Bernardo
sabia que mais dinheiro iria para sua conta no exterior. Ninguém podia saber
que ele era um homem muito rico, que se passava de coitado e doente para a neta
e para a governanta. Bernardo fora longe em seus pensamentos, logo sua netinha
iria para cova. Odiava-a, por ela não ser sangue do seu sangue, ser sua neta
adotiva, ficara feliz que a filha, aquela mulher que não podia ter lhe dado um
neto de verdade, tivesse sofrido um acidente fatal há muitos anos.
A maldade do avô de
Bárbara não tinha limites.
Sosô odiava o
tratamento que recebia do avô de Bárbara e decidiu aquela noite que começaria
sua vingança aos poucos, decidiu que antes de mata-lo ia se divertir um pouco.
Foi para a cozinha, preparou um delicioso manjar de maracujá, sobremesa
preferida de Bernardo, mas acrescentou um ingrediente a mais, um poderoso
laxante. Queria que Bernardo tivesse uma forte dor de barriga por algumas
horas, pois queria revistar o quarto.
Sosô, foi até o quarto,
serviu o manjar. Não demorou muito para o laxante fazer efeito. Bernardo se
trancou no banheiro do quarto. Foi então que ela silenciosamente, começou a
revirar o quarto, queria descobrir os segredos de Bernardo, foi quando
atentou-se para o enorme quadro que continha a foto da esposa do avô de
Bárbara. O quadro ficava um pouco acima da cabeceira da cama, decidiu mover o
quadro, como ela era uma pessoa forte, não teve dificuldades.
Sosô descobriu um cofre
na parede. Agora sua próxima missão era descobrir a senha.
Já havia passado
algumas horas, quando ela ouviu um clique na porta, colocou o quadro de volta
no lugar, e saiu correndo do quarto. Mas, o restante do quarto, continuava
desarrumado.
Bernardo, muito suado
foi deitar na cama. Porém ele estava desconfiado. Gritou por Sosô. Questionou-a
se ela não havia colocado algo na sobremesa. Ela garantiu, que talvez tivesse
apenas colocado em excesso o maracujá.
Quando ela saiu,
Bernardo não se convenceu, a governanta deveria estar querendo alguma coisa.
Será que ela sabia do dinheiro? Ele ficou pensativo, agora havia dois alvos a
ser eliminados.
Mal sabia ele, que
enquanto isso, Sosô, gargalhava na cozinha, sobre o plano que havia acabado de
executar e da descoberta que fizera. Se o velho moribundo, escondia dinheiro
ela ia roubar tudo dele, depois mata-lo e deixar a netinha sem nada, porque ela
que servira aquela casa, que merecia a luxuosa casa e todo o dinheiro do velho.
Capítulo
6 O bonitão
Naquela noite de
folga de seu trabalho, ele decidiu que iria jogar, fazer algum otário perder
muito dinheiro no cassino. Bento, odiava seu primeiro nome, José e o pior que o
chamassem de José Bento. Era só Bento, o nome que lhe fazia feliz.
Colocou
sua melhor camisa polo azul, uma calça social preta e sapatos sociais pretos.
Queria estar bonitão, quem sabe assim beijava alguma mulher bonita enquanto
fazia suas artimanhas no jogo. Algo dizia que ele iria ganhar muito dinheiro
aquela noite.
Jogar
era um de seus hobbies preferidos, diferente de seu trabalho em que ele tinha
que ser sério e concentrado, naquela semana ele estava em uma missão difícil,
estava precisando de um pouco de sorte para resolver aquele problema, pois só
trabalho duro não estava dando conta.
Bento,
pegou sua caminhonete S10 e dirigiu em direção ao cassino. Chegando lá primeiro
pediu uma bebia para apreciar o ambiente, cantou algumas mulheres como era de
seu costume, foi quando ele viu um homem nervoso com uma maleta entrar no
cassino.
O
homem era Júlio, ex-namorado de Bárbara, que havia a drogado e fugido com a
maleta, estava disposto a quadriplicar aquele dinheiro, ele seria muito, muito
rico, não aquele idiota que todos pensavam que ele era. Dirigiu-se a uma mesa
de Pôquer.
Bento
que observou o nervosismo daquele homem, pensou está aí o otário da noite e
também foi para a mesa de pôquer com as estratégias previamente definidas. Esse
otário será depenado, pensava ele, que gostava de ganhar grana alta nas noites
de folga. Ah, se os colegas de trabalho soubessem o que ele fazia nas folgas,
seria o fim de sua carreira profissional.
Estava
formada a mesa de pôquer, começara o jogo, Júlio apostava alto nas jogadas, ele
tinha uma pequena experiência como jogador, das vezes em que fora ao cassino
com o dinheiro que roubara da irmã. Bento, deixou ele ganhar confiança,
deixando-o ganhar algumas partidas, até que propôs um valor relativamente alto.
Os olhos de Júlio brilharam. Mas, na cartada final, ele perdera todo o dinheiro
da maleta de Bárbara.
Júlio
ficou nervoso e quis arrumar confusão, quis partir para cima de Bento, que o
golpeou no olho direito, deixando o olho completamente roxo, e o jogou-o para
fora do cassino. Bento, com uma maleta cheia de dinheiro foi se servir de outra
bebida, estava satisfeito, naquela noite faturava o que mesmo que trabalhasse a
vida toda não conseguiria aquele valor.
Eram
quatro da manhã, quando Bárbara com muita dificuldade conseguiu abrir os olhos,
o sonífero não tinha sido em dose suficiente para apaga-la por toda a noite.
Acordou, muito mal, e depois que recobrou a consciência, após uma meia hora,
reparou que nem a maleta, nem Júlio estavam ali. Desesperada lembrou-se do
vício do ex-namorado em jogos de azar e deduziu que ele havia ido ao cassino.
Como
suspeitava o corsel não estava na garagem, por azar a moto dele também não
estava ali. Verificou se estava tudo bem com o pé esquerdo e decidiu que
correria quinze quilômetros em direção ao cassino. Ela não sabia se Júlio ainda
estava com a maleta, mas estava disposta a fazer de tudo para recuperar a
maleta e salvar a vida do seu vozinho doente.
Depois
de uma corrida exaustiva, e encharcada de suor, Bárbara chegara ao cassino as
cinco da manhã. Encontrou Júlio com o olho roxo, chorando do lado de fora, se
lamentando, questionou sobre a maleta e então ele lhe contou que havia perdido
no jogo todo o dinheiro para um tal de Bento.
Desesperada,
ela entrou no cassino, disposta a recuperar o dinheiro, quando viu Bento
rodeado de mulheres e com a maleta na mão. Foi quando Bárbara teve uma crise de
choro muito intensa, aquela sina de tentar entregar a maleta para o seu avô,
fugir de caras mascarados, se machucar e por último aquela corrida exaustiva de
quinze quilômetros, não aguentava mais aquela sina e chorava copiosamente.
Bento
virou-se para olhar aquela mulher com a blusa encharcada de suor e com os
cabelos desarrumados, mesmo ela estando naquele estado deplorável, ele a achou
uma linda mulher, foi em sua direção, falou com ela calmamente tentando
acalmá-la e perguntou o motivo de seu choro. Bárbara foi parando de chorar aos
poucos e decidiu contar toda a sua história aquele estranho que estava com a
sua maleta.
Bento,
ficou estupefato, mal podia acreditar de quem aquela linda mulher era neta, sua
missão estava ficando mais fácil, viu que ela seria uma peça importante para
que ele pudesse realizar o seu trabalho. Então, propôs que ela jogasse uma
partida de pôquer com ele, se ela ganhasse, poderia ficar com a maleta de
dinheiro. Bárbara não sabia jogar, mas era sua única chance, mas para sua
surpresa Bento deixou que ela ganhasse a partida. Bento, entregou a maleta a
ela com uma condição, queria acompanha-la a casa de seu avô e conhece-lo.
Capítulo
7 Na casa do vovô
Júlio
que estava do lado de fora do cassino e que havia levado um soco no olho
direito de Bento, levantou-se, foi até o seu corcel e partiu em direção a sua
casa completamente abalado e transtornado. Aquela tinha sido uma noite
horrível.
Eram
já 7 horas da manhã, quando Bento saiu do cassino com Bárbara, meu deus como
aquela mulher desengonçada era linda. Não conseguia tirar os olhos dela. Mas
pensou, foco no trabalho. Não estou aqui para me apaixonar.
Bento
propôs que fossem em uma padaria tomar café, Bárbara aceitou, a corrida de 15
quilômetros tinha acabado com suas forças. Após a padaria ele a levou para
casa, sugeriu que ela tomasse um banho quente, e lhe deu roupas novas. Ele
tinha muitas roupas de mulher em casa. Galanteador como era, vivia dando
presentes para as mulheres que trazia em casa, como roupas, joias e perfumes.
Finalmente
partiram em direção a casa do vovo. Bárbara sorria, estava com a maleta,
finalmente pagaria o tratamento do seu querido avô. Bento, só pensava em como
seria conhecer Bernardo Serra, um homem que havia sido muito rico e poderoso no
passado. Afinal tudo contava muito para o seu trabalho, estava ali a trabalho e
não podia se esquecer disso.
Chegaram
na antiga casa luxuosa. Sosô foi atender
a porta. Ficou incrivelmente desapontada que Bárbara estava acompanhada, isso
dificultaria seus planos. Bárbara, como o seu avô estava muito enfermo quis
conversar com ele a sós primeiro no quarto. Bárbara entrou no quarto e deu um
grande abraço em seu avô, que fingiu retribuir. Pediu a quem ela devia entregar
a maleta, a que médico, ou depositar em uma conta. Seu avô disse que ficaria
com a maleta e entregaria pessoalmente para o médico. Como sempre, Bárbara não
desconfiou de nada.
Bárbara,
então comentou sobre Bento e contou toda a história do cassino para Bernardo.
Ele topou conhecer Bento, experiente como era ficou muito desconfiado, já tinha
um palpite sobre quem era esse tal de Bento. Por enquanto ele ia ter que bancar
o avô amoroso.
Bento,
foi chamado ao quarto de Bernardo, que fingiu estar extremamente mal. Bento não
acreditou nem um minuto que aquela doença fosse verdadeira, seus extintos
diziam que aquele velho escondia muita coisa. Precisava de uma desculpa para
passar a noite ali.
De
repente, Bento fingiu desmaiar. Bárbara foi logo verificando pressão, parecia
estar tudo normal, pediu a governanta que o levassem para o quarto de hóspedes.
Depois de um tempo, Bento acordou e disse que havia passado mal e que não tinha
condições para dirigir.
Bárbara
não sabia dizer não para aquele homem tão bruto e sedutor ao mesmo tempo. A
investigação de Bento estava apenas no começo. Queria saber todos os podres
daquela família, e iria pesquisar a fundo aquela governanta esquisita e Bárbara
por mais linda que fosse, também fazia parte do seu trabalho. O trabalho em
primeiro lugar.
Capítulo
8 A noite estranha de Bárbara
Bárbara tinha depressão.
Doença, que com muito custo ela escondia de tudo e de todos. Era hora de dormir.
Foi então, que lembrou-se de tomar o antidepressivo, na hora de tomar o remédio
ficou confusa com o outro de ansiedade e tomou dois comprimidos do
antidepressivo de dose 150mg.
Pegou no sono, então
acordou-se sentindo muito mal, olhou para a caixa do antidepressivo, havia
tomado a caixa inteira. Meio tonta, mas ainda raciocinando um pouco se lembrou
que superdose desse tipo de remédio, pode levar a vítima a cometer suicídio.
Desesperada, primeiro veio as náuseas, depois os vômitos, acabou vomitando ali
no quarto mesmo. E então sua capacidade motora começou a ser atingida. Exausta,
queria pedir ajuda, gritava por socorro, mas a voz não saía.
Bento acordou no meio
da noite, e pensou: vou dar uma olhada no corredor. Ao passar pelo quarto de
Bárbara viu a luz acesa. Bateu na porta, Bárbara não respondeu. Resolveu entrar,
viu a caixa de remédios no chão, os vômitos pelo quarto e ela desmaiada em
outro canto do quarto.
Ficou assombrado, de
repente, percebeu que se importava de verdade com aquela mulher. Pegou-a no
colo rapidamente, a colocou no carro e foi dirigindo feito um louco para o
hospital mais próximo. No caminho, o pensamento de Bento aflorava: Por que a
Bárbara tomou uma caixa inteira de antidepressivos? Então ela tinha depressão
ou algum outro tipo de transtorno? Quais seriam as consequências daquela superdose?
No hospital, levaram
Bárbara para fazer uma lavagem estomacal. Bento, de repente lembrou-se que
nesses casos, deveria ter ligado para o serviço de intoxicação. Pelo menos, ele
tinha junto, a embalagem e o frasco do remédio. Pensava ele, que ela estava
aguentando uma verdadeira barra, e que talvez tudo que ela fizesse para ajudar
seu avô fosse em vão, pois parecia que o avô de Bárbara tinha construído um “castelo”
em cima de mentiras, que faziam as pessoas pensar: Pobre desse velhinho doente.
Aos poucos Bárbara foi
voltando a si. Era necessário que ela passasse a noite em observação. Na manhã
seguinte, acordou com Bento, olhando-a fixamente. Sentiu-se constrangida e
pediu, por favor, que ele não contasse nada do que tinha acontecido a ninguém.
Bárbara, então revelou que desde que tirara licença do trabalho de enfermagem,
para cuidar do avô doente, sofria de crises depressivas muito intensas, e que
na noite anterior, apesar de ter conseguido o dinheiro para o seu avô, bateu um
desespero tão grande, que ela tomou todos os remédios do frasco de
antidepressivo.
Ela também disse que
estava difícil ficar longe do trabalho, pois ela amava cuidar das pessoas.
Bárbara e Bento foram se conectando em uma ligação cada vez mais profunda,
havia muito sentimento, carinho, reciprocidade entre os dois. E por parte, dela
já havia um pouco de amor. Foi então, que Bento foi se aproximando cada vez
mais dos lábios de Bárbara.
Nesse momento, Júlio
ex-namorado de Bárbara chegou.
CONTINUA...